Integração Sensorial

J. Ayres, psicóloga e terapeuta ocupacional, concebeu esta abordagem no início dos anos 60, com foco nos distúrbios de aprendizagem. Ao tratar crianças com disfunção neuromotora, Ayres sugeriu que poderiam haver outras razões interferindo na realização da tarefa motora, além dos déficits neuromotores existentes.

No homem, todos os sistemas sensoriais comunicam-se uns com os outros, funcionando de forma integrada. No entanto, o recém-nascido vê, escuta e sente seu corpo, mas ainda não é capaz ainda de organizar essas sensações. A natureza, porém, criou reflexas para ajudá-lo a se relacionar com o novo meio ambiente. Tais reflexos são conhecidos como reflexos primitivos.

Ao tocarmos delicadamente na bochecha do bebê, ele reagirá ao toque. Desta forma, ele é capaz de achar a comida. Se ele for colocado de prono, será capaz de virar o rosto para os lados, liberando, assim, as vias aéreas. Ao colocarmos um objeto na palma de sua mão, o bebê automaticamente o agarrará. Desta maneira, o bebê poderá experimentar algumas vivências sensoriais. Essas respostas pré-programadas proporcionam a base para o desenvolvimento de habilidades mais avançadas.

Progressivamente, ele passa a experimentar mais e mais sensações e, gradualmente, aprende a organizá-las dentro do seu cérebro e a dar significado a elas. Portanto, o desenvolvimento sensorial envolve aprender a reconhecer e usar as informações captadas pelos sentidos. Os significados dados ajudam a formar pensamentos abstratos e cognitivos. É a organização dos sistemas que permite que o sistema nervoso funcione de uma forma holística. Quando um bebê engatinha por uma sala ou uma criança ultrapassa alguns obstáculos, todo o corpo funciona como uma unidade. As sensações provenientes das reações da criança ao meio ambiente (respostas adaptativas) geram

um padrão de atividade bem organizado e equilibrado no cérebro.

Quando o corpo e os sentidos trabalham juntos como um todo, adaptação e aprendizado são mais fáceis. É a interação entre os sistemas sensorial e motor, através de suas incontáveis interconexões, que dá significado a sensação e propósito ao movimento. Sabe-se que, na sequência do desenvolvimento, a criança pratica uma mesma atividade inúmeras vezes para elaborar cada elemento sensorial e motor. É fácil observar isso do ponto de vista motor, porém do ponto de vista sensorial, isto é mais difícil.

 

Fonte: Sensory Integration and the child. 20 ed. Los Angeles, CA: WPS, 1995

Aplicação prática da Integração Sensorial na rotina de consultório

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